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[Quinta-feira, Setembro 04, 2008]
A fora-da-lei
Viajar tem dessas coisas. Mais uma vez em busca de um novo eu. Rumo ao desconhecido. Conheço mais de mim a cada rosto nunca visto antes, a cada esquina nunca dobrada por esses pés que me carregaram até aqui. E é ela, a paixão, que me rege e descarta antigas regras. Jogando-me nos braços do acaso, brincando de dona de mim.
A permissão já me foi furtada faz é tempo. Espero boas contravenções de minhas próprias leis.
por Ká * 7:55 PM
Fala, criatura!:
[Sexta-feira, Agosto 22, 2008]
In-finitude
Hospitais geralmente colocam medo nas pessoas. Nunca tive isso. Cresci ao lado de um homem de roupa branca com maleta e estetoscópio pendurado no pescoço. Passei tardes esperando-o no jardim bem cuidado do hospital da cidade pequena. Percorria os corredores com odor de éter olhando curiosa à espreita das portas dos quartos. Isso me deixou sem medo de consultas médicas, diagnósticos, agulhas ou sangue. No entanto, tenho medo da morte. Não a minha, mas de quem amo. A maturidade esqueceu de me fazer com que lidasse bem com esse futuro certo de todos nós.
Lá estavam um corredor daqueles e ela. Cadeiras vazias a seu redor, seu silêncio doloroso gritava em meus ouvidos perturbando minha leitura. A preocupação no semblante da jovem moça me remeteu a momentos tristes. Aqueles onde trombei novamente com a questão mal-resolvida em minha vida: a morte.
De repente, surgiu uma saudade recheada de um medo quase infantil, porque a gente pensa que tudo estará bem quando se está ao lado das pessoas queridas. Achamos-nos super-homens e mulheres-maravilha e que impediremos todo o mal que ousar se aproximar de nossos amados. Pensamos ingenuamente ser indestrutíveis diante daquela força maior: o nosso fim. Depois, o inevitável. Deparamos-nos com um ‘eu’ frágil e falível. Quebramos como todas as outras pessoas.
Tudo aquilo culminou num pensamento que tenho como mantra: viver intensamente. Tudo isso dura quase nada, meus caros. É viver pra crer.
por Ká * 3:34 PM
Fala, criatura!:
[Quinta-feira, Agosto 14, 2008]
Desistir, jamais!
Sempre me recusei em adotar comportamentos clichês. Soltar frases, então, tão cansativamente utilizadas, nem pensar. Às vezes é inevitável, devo admitir. Mas na maioria das vezes é preguiça de pensar ou simplesmente observar melhor o mundo e repensá-lo com seus próprios neurônios. Mais fácil é consumi-lo do jeito que ‘todo mundo faz’, já mastigadinho pelos outros: TV, publicidade, o “doutor”, o padre, o patrão; qualquer um detentor de algum poder.
Aquela conhecida frase ‘homem é tudo igual’ se aplica aí. Mulheres, cegas em suas experiências amorosas desastrosas, mágoas acumuladas e no limite de sua auto-vitimização caem numa verdadeira inaptidão de separar o joio do trigo. Não enxerga-se quem vale a pena, mas generalizam o sexo masculino numa completa demonstração de imaturidade e falta de sensibilidade feminina. Talvez assim fique mais fácil jogar pedra no ‘culpado’ e sair correndo sem enxergar os próprios erros.
Felizmente posso falar sem medo de me passar por ingênua que, definitivamente, homem não é tudo igual. Dizer tal impropério seria desistir deles. Seria desistir de ter um companheiro, uma paixão tórrida e significaria até mesmo uma desfeita com teus melhores amigos. Pior, proferir tal clichê seria lavar as mãos diante dos erros deles, fazendo com que tudo aquilo que tanto te irrita (ou irritou) fosse devidamente compreendido e perdoado.
Não importa o que digam, para mim, eles não são todos iguais, nem toda loira é burra e amor que fica pode ser qualquer um que não comece com uma cantada recheada de clichês.
por Ká * 7:44 PM
Fala, criatura!:
[Segunda-feira, Agosto 04, 2008]
O retorno
Quando volto de viagem normalmente bate aquele "banzo". O sentimento bom de estar de volta à casa confronta-se com o silêncio ensurdecedor de morar sozinha. Não estipulo prazos para que isso passe. Quando menos espero, ele já se foi, levando consigo os suspiros e sorrisos melancólicos trazidos por lembranças doces de outrora.
Eis que me encontro em fase de readaptação. Junto com isso vem o começo de algo que ainda não sei definir o que é: paixão, tesão, admiração, vontade de cuidar e ser cuidada por uma pessoa que parece ter surgido do nada. Uma coceirinha que há tempos não dava o ar da graça. O encaixe de palavras perfeito, o bem-estar compartilhado, a sincronia de corpos sem necessidade de ensaio, o bom humor leve com a gostosa maturidade dos 30. E o que cabe a mim será feito. Com aquela minha coragem costumeira quando se trata de minhas paixões.
O retorno à rotina, às paixões, aos riscos sentimentais que tanto me fazem sentir-me viva, o retorno a mim mesma. Tudo isso tem me deixado centralizada em uma coisa: eu, ninguém mais. Um egoísmo saudável e necessário quando se trata de sobrevivência emocional.
Antes sentir saudade dos outros do que saudade de mim mesma.
por Ká * 4:36 PM
Fala, criatura!:
[Quinta-feira, Julho 24, 2008]
Liberta
E assim foi... Passaram-se três dias de festival: muito trabalho, muita gente, muita música e muitos momentos inesquecíveis. Essa foi, de longe, a melhor edição do ForCaos. Os dez anos foram muito bem comemorados com um cast de primeira, som de ótima qualidade e uma equipe que sinto orgulho de ter feito parte dela. Qualquer um sentiria.
Hoje, revendo fotos para enviar à imprensa e vídeos amadores do meu irmão, me bateu uma certa saudade prematura daqueles dias. Tudo terminou há menos de uma semana e eu já queria tudo aquilo de volta. Felizmente o áudio-visual tem dessas coisas: podemos reviver, em parte, alguma ocasião passada pelo simples registro. Outros momentos, por sua vez, não há como reviver senão ao vivo e a cores. São aqueles em que as pessoas - com tudo aquilo que se tem direito: voz, sorriso, cheiro, toque – são a arte em si. De modo que, o consolo dessa saudade é saber que se viveu tudo o quanto e como se pôde.
As emoções todas misturadas naqueles três dias não me serviram para confundir a cabeça, mas para me libertar de uma vez por todas de amarras amareladas e corroídas por um passado que já foi tarde. Esse sorrisinho escapando do rosto quando eu menos espero definitivamente não é à toa.
por Ká * 8:27 PM
Fala, criatura!:
[Domingo, Julho 13, 2008]
Enfim, só
Necessidade de ficar sozinho às vezes é confundida com solidão, com tristeza, depressão. “Algo está errado.” A sociedade e a mídia nos forçam a obter e manter uma felicidade fabricada, plastificada. Felicidade de propaganda de margarina. Falsa e fria como uma prótese de silicone. A vida é bem mais do que um sorriso estampado num rosto perfeito e bonito. Mas afirme isso e se conforme em “ser” uma pessoa estranha e, “provavelmente, muito sozinha”.
Após um fim de semana envolvida por demonstrações de carinho, respeito e desejo, entre família, amigos e ‘afins’, precisava de tempo para mim mesma antes do corre-corre recomeçar. Precisava estar sóbria de vozes e risadas em meus ouvidos, de tantos rostos diferentes passeando diante de meus olhos. Precisava estar com os pés no chão novamente e não na efemeridade da vida – se é que há algo que não seja efêmero nela.
Mas as pessoas não concebem isso, não compreendem a quietude, a sobriedade, o silêncio. Não acostumadas a questionar a si próprias, julgam o outro com a propriedade de um juiz cuja toga parece nunca haver sido suja por excrementos de hipocrisia, fraqueza ou conceitos pré-concebidos indevidamente. Tudo isso, do alto de sua sabedoria e, claro, "felicidade".
Celebrei minha solidão (planejada e muito bem gozada) comigo mesma. Porque se você não consegue ser sua melhor companhia, aí sim, algo está muito errado.
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Vasculhando CD’s não ouvidos há tempos...
Shattered by your weakness, shattered by your smile. I’m not very fond of you, and your lies. Now I’m coming out to play, so please don’t stand my way. And all the things that seemed once to be so important to me seem so trivial now that I can see. Move over, there’s a climax coming my way. Please don’t stand in my way...
(The Cranberries)
Adorava cantar essa música e hoje faz tanto sentido que o ‘susto’ transformou-se em sorriso.
por Ká * 6:37 PM
Fala, criatura!:
[Quinta-feira, Julho 03, 2008]
Amores platônicos
E lá estavam eles, menino e menina, descobrindo o amor, assim como a inevitável dor de cotovelo. Porque todo amor acaba, sobretudo os amores de infância. Fim. Créditos. ‘Eject’.
Eu não tive amores na infância. Apenas platônicos, inclusive nos primeiros anos da adolescência. Aliás, possuo um histórico esticado de amores assim. Aquilo era vivido até o limite da possibilidade de adoração à distância. Conta-se aqui, entre outros, o amigo do irmão mais velho, o guitarrista alemão, o professor de geografia, o vocalista feio nova-iorquino e o ator paulista que era ‘expert’ em malabares.
Eram histórias impossíveis mesmo, para evitar qualquer possibilidade de concretizar o desejo – ou de dessacralizar o amor perfeito imaginário. O êxito era visto com um quase pavor imaturo e ingênuo. Mas o suspiro, a saudade e a ânsia de saber mais sobre o objeto de amor, tudo tinha um leve sabor adocicado.
Sim, houve um tempo em que eu era doce. Sabiamente, ele não volta mais.
por Ká * 4:13 PM
Fala, criatura!:
[Quinta-feira, Junho 26, 2008]
O belo da tarde
Subiu sem ser convidado. Ela, que havia decidido não levar aquilo adiante, fez-se de cega. Subiu as escadas, andou pelo corredor, sempre ao lado do amigo disfarçado de amante.
O cansaço dos corpos desmentia a impressão de terem passado minutos, jamais aquelas horas. E as palavras amenas e novamente vestidas de amizade foram saindo displicentemente. Ao natural – em pele, pelos e finalmente sem a intempérie do desejo, conversaram coisas sem importância enquanto se recompunham. Despediram-se como se estivessem saindo de um bar.
Fechou a porta se questionado no que ela acabara de fazer. “Ah, mas que diabos, antes amante de amigo do que amante de ex!”. Calçou o par de tênis e foi correr naquele resto de tarde despretensioso.
por Ká * 6:55 PM
Fala, criatura!:
[Segunda-feira, Junho 23, 2008]
Botox na alma
Ambientes novos, novos rostos, diferentes perspectivas. Eis uma coisinha que tenho seguido há anos, mais particularmente quando vivi um amor estrangeiro em terras distantes. Aquilo me abriu os olhos para outros mundos e acho que o amo até hoje por isso. Essa curiosidade, essa vontade de conhecer o até então desconhecido é que nos faz permanecer jovens, não uma bobagem de “renew” ou “botox”.
E lá fui eu em mais uma empreitada. Entre rostos nunca antes vistos; outros, no máximo conhecidos “de vista”, mas que eu nem lembrava de onde eram. Principalmente, entre um povo bonito que também amava música (algo em comum!): melhor, blues. Como sempre, é a arte que me faz me sentir em casa nessas ocasiões. E foi isso – a música e a fotografia - que se transformou em elo para conversas deveras interessantes.
O saldo foi positivo. Ao contrário da última vez (nessa eterna tentativa de conhecer outros mundos), estava longe de ser um “programa de índio”. O dia começou cedo, a tarde rendeu mais do que eu esperava e a noite foi o desfecho ideal – estava entre “os meus”. Terminou no outro dia, mais cedo ainda: às 5 da manhã.
por Ká * 7:43 PM
Fala, criatura!:
[Domingo, Junho 15, 2008]
O termômetro
Era uma época diferente. Bastava-se. Mas via gente. Apenas queria estar distante de relacionamentos com pessoas que pudessem levar algo adiante.
De repente, viu-se diante de um surto de ciúmes, infantilidade e carência. Foi a primeira e última chateação. Ela fugiu como se corresse do matadouro e nunca mais lhe deu cabimento. Dias depois, sorriu pensando que havia se livrado de outra relação fadada ao fracasso.
Já não vivia por impulsos megalomaníacos de seus sentimentos. Ao contrário, havia aprendido as regras do jogo.
por Ká * 7:03 PM
Fala, criatura!:
[Quarta-feira, Junho 11, 2008]
Vírus, aspirinas e calundus
Na sobriedade e na solidão as coisas pesam. Entretanto, o peso não é maior nem menor do que de fato é. Nem mais nem menos, podemos embarcar em nossas auto-análises sem medo de exagerar no pessimismo ou se exceder no otimismo. O equilíbrio é duro, certamente. Estar ciente de seus altos e baixos requer um autocontrole que nem sempre estamos aptos ou dispostos a manter.
Estive doente por uns dias. Daquele jeito que não temos sequer forças para ir à esquina comprar os próprios comprimidos. Levantar da cama, tomar banho, trocar de roupa, cozinhar, comer, lavar a louça: tudo dói. E é nesses momentos solitários e de uma ridícula inaptidão para cuidar de si mesmo que nos sentimos mais frágeis e pequenos do que uma formiga.
Eu mesma havia cuidado com esmero de alguém nessas condições. No entanto, agora, não havia uma alma viva que me retribuísse o gesto isento de segundas intenções. Com a família longe, amigos zelosos idem, amigos de farra farreando, eu estava literalmente isolada por meu vírus e pela localização geográfica de mais de 500 km de distância. Somava-se a tudo isso uma observação com cores cínicas feita por um amigo que me rasgou os fiapos de compostura emocional restantes numa noite chuvosa, fazendo-me derramar-me em lágrimas.
Avessa a qualquer tipo de ‘auto-vitimização’, apenas me recolhi em minha rede e me entreguei àquela enfermidade como quem abraçava o travesseiro encharcado do próprio suor. Assisti e li outras histórias e rabisquei mentalmente a minha própria – sem paciência ou talento para definir um desfecho digno de mim mesma.
Na segunda-feira, após o choque da solidão, do descaso e da chuva que tomei para ir à farmácia, sentia-me melhor e maior. Sobretudo, por dentro. Sóbria do álcool, das pessoas e das lágrimas.
por Ká * 7:32 PM
Fala, criatura!:
[Segunda-feira, Junho 02, 2008]
A-moral
Os conceitos podem mudar de forma assustadora para quem pensava já haver estabelecido certos meios de como levar a vida, termos aparentemente seguros e muito bem embasados. Descobre-se então que a moral pode ter várias faces. Não só podemos aprender a jogar com os próprios sentimentos como também a usar o corpo de uma forma desconhecida para mim até então: como objeto.
Um dia você se vê distante de formas poéticas de viver. O amor vira uma imagem turva e confusa, em meio a uma neblina de desconhecimento. Surge um egoísmo saudável e vigilante para quem havia se perdido de si mesmo. E a cama acaba virando um reduto somente seu, cenário de momentos sublimes apenas enquanto duram.
Dizem que podemos criar supostos “monstros” por pura falta de carinho, zelo e tato. Chama-se de “monstro” aquilo que se deseja ser vez ou outra, no segredo dos próprios pensamentos, mas não se vive por falta de coragem ou de segurança consigo mesmo. A falta de hipocrisia incomoda quem está de fora ouvindo histórias alheias. Felizmente é no sorriso de satisfação que encontramos a melhor resposta para julgamentos ortodoxos.
Esses últimos dias tiveram muitos momentos felizes; alguns, nostálgicos; uns, non-sense; outros, gratificantes. Foram dias ensolarados e noites etílicas aproveitados entre família, amigos e desejos.
Despedi-me pensando: nunca me senti tão mulher.
por Ká * 7:33 PM
Fala, criatura!:
[Segunda-feira, Maio 19, 2008]
Uma noite, um telefonema, a chuva
Eu liguei para ele nos primeiros minutos do seu aniversário. Era um misto de tristeza e alegria. Eu, ele. Com certeza, ele foi a parte alegre disso tudo. Sempre gentil e doce. Mas eu... Estava naquela fase bruta, tosca, cor de concreto. Meus olhos enxergavam em tons de sépia.
A chuva caía impiedosamente lá fora, mas não levava embora, não lavava por fora, por dentro. Nada, nada. A chuva se derramava por tempo indefinido sobre as casas, sobre os prédios, árvores, sobre minha cabeça. Como se chorasse. Naquela noite eu me deixei ir como há muito não fazia. Nem a garrafa de vinho guardada para uma noite de sorrisos e amigos conseguiu lavar com álcool as manchas que me apareciam no peito.
Mas ele, mais uma vez, foi o motivo de alívio, de abster-me de mim mesma, de me ver por outros olhares, olhares longínquos, olhares que estão longe de se parecerem com os meus próprios.
A história sempre parece se repetir. Não poderia ser diferente com a minha vida.
Sensação de déja-vu.
por Ká * 7:50 PM
Fala, criatura!:
[Domingo, Maio 11, 2008]
Passos em preto e branco
Ressaca de choro é pior que qualquer outro tipo de ressaca - pensou alto. Ressaca de tristeza parece que nos suga de um jeito que nem a mais vagabunda vodka chega perto desse estrago. E despiu-se das roupas e das lágrimas.
Depois de um demorado banho, ainda em ritmo lento, passou o hidratante pelo corpo como de hábito e observou que aquela casca não era nem um quinto do que tinha pra doar. No entanto, nos últimos tempos, se sentia querida só por aquele pedaço de carne.
Ela era tão mais do que aquilo que por um segundo odiou sua própria pele. Superficialidade, era essa a palavra que a atormentava em encontros com seus pensamentos após trocas de fluidos com esse ou aquele que a desejava. Longe de ser puritana ou chorar pelo leite derramado, aquele sentimento angustiante era, antes de mais nada, por medo do ser humano seco que poderia vir a se tornar.
Andava anestesiada pelas ruas naquela tarde vazia e inofensiva. Havia esperado o sol ir embora não por seu poder nocivo à pele ou o calor insuportável desses dias pós-chuva. Mas pelo simples fato de não querer ver luz ou o mínimo de índice de vida brotando pelos raios de solares. Queria estar só e em preto e branco. Recolher-se ao silêncio, companheiro inseparável.
E foi.
por Ká * 10:29 PM
Fala, criatura!:
[Quarta-feira, Abril 30, 2008]
A escolha
(para Geane e Giovanna)
Nascemos numa família e temos que nos adaptar a ela. Arrumamos um trabalho e temos que suportar os colegas, o patrão. Apaixonamos-nos e ficamos sabendo que amor não se escolhe. Mas amigos... A gente escolhe, sim.
Conhecemos milhares de pessoas, mas pouquíssimas delas estarão em nossas vidas, sabendo de nossos passos, participando de nossos bons e maus momentos, sendo companheiros, críticos, sendo nosso suporte. Não há interesse, não há competição. Apenas uma coisa: amizade.
Amores vão e vêm. Mas os amigos estão sempre ali, para oferecer o ombro, xingar-nos ou para nos oferecer uma dose na mesa de bar. É nossa família sem os azedumes da convivência ou a disputa de egos. É um amor sem amarras desprovido de joguinhos imbecis, de disfarces que mascaram defeitos. É um bem querer repleto de liberdade. Melhor, não precisamos ser monogâmicos, podendo ter vários amigos ao mesmo tempo e ainda diferentes entre si.
Mais uma vez recorro a esse tema, porque hoje é aniversário de minhas duas melhores amigas. Além do tempo que nos conhecemos (há 16 anos...), existe tudo isso que falei antes. E mais, porque apesar da distância física, continuamos tão próximas – na sintonia, lealdade, confiança e carinho - quanto as adolescentes de outrora. Com a vantagem da maravilhosa maturidade dos 30.
Amo vocês.
por Ká * 4:40 PM
Fala, criatura!:
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